Vamos ouvir um blues, por Diangela Menegazzi Apesar de não ser totalmente alheia à história, a vastidão de acontecimentos muitas vezes me caem desconexos. É trabalhoso juntar as partes. Mais ainda assimilá-las ao todo. De qualquer forma, sei que nessas quase três décadas de vida, poucas vezes me sobrou o direito à tristeza. Das festas...
Srta., de João Faccio os olhos me olharam quando eu tentava desviar do espelho atrás do balcão daquele bar. Me olharam, consumiram com minhas forças e qualquer tentativa possível de comunicação da minha parte. Me apagaram, sumiram comigo e todos os outros daquele bar – incluindo o espelho. E era eu e...
Um “b” balbúcio ao Quotidiano de Maputo, de Dinis Muhai Os sapateiros da calçada nº 1245 lixam as solas com eloquência e conhecimento. Defronte deles noutra calçada moças esbeltas de bicos finos exibem pernas altas com vaidade. E os carros como nuvens voam pelas faixas...
Por Juliana Rosado* O primeiro volume de Luigi Ricciardi, o Anacronismo Moderno, inocentemente parece apenas relatar um posicionamento de solidão, velocidade e fragmentação contemporâneos. No entanto, mais além do que o retrato da condição de seres diante de tal contexto, os contos do estreante maringaense revelam um posicionamento de insatisfação pessoal refletida em...
Wilson te encara na capa do quadrinho. Há um quê de canino no olhar triste da personagem cabeçuda, entradas avançadas pelo cabelo, usando óculos de lentes grossas camisa, sapato e calça social (com uma borracha de lápis saindo discretamente do bolso). Ele está parado em uma rua de subúrbio genérico destes de filme americano. Mais...
Eu não sou Thomas Pynchon. Diz a lenda que o próprio escritor usava uma destas camisetas em um restaurante lotado em Nova York quando foi desmascarado pelo cartunista Farley Katz. Pynchon é o mistério mais bem guardado do mundo literário atual. Considerado por muitos o maior romancista vivo de língua inglesa, o James Joyce pós-moderno,...
Será que dá pra dizer que a literatura argentina é a melhor do mundo? Tem gente que defende isso, eu mesmo costumava defender isso, até perceber que não li o suficiente de nenhuma literatura pra dizer qualquer coisa parecida. De uma coisa eu sei, os embates entre posturas estéticas me parecem mais encarniçados lá....
“Existe um público para todo mundo. Não importa o que você faz. Você pode pintar sobre pedras e vai existir alguém que adoooore pintura sobre pedras. Faça o que você quer fazer.” O que o artista californiano Mike Stilkey, dono da frase aí em cima, gosta é pintar sobre livros. E para a sua alegria...
(i left my wallet in el segundo, do tribe called quest, no som) não sou contista. acho o conto uma solução de continuidade técnica demais, que depende muito de certo funcionamento pra ir adiante, enquanto o romance nos dá os tais dos espaços mortos de significação e se equilibra entre funcionamento e não...
Temo que quem nasce-vive-e-morre em uma cidade grande não vive plenamente. Talvez por ter nascido no interior, me aborrecem os cariocas da gema, os paulistas da gema, e qualquer gentílico seguido da gema. Esse avatar urbano, em geral desprovido de terra e espírito arteiro, porém dotado de um desprezo zombeteiro pelo interiorano, recebe –...
A londrina Zadie Smith é autora de três romances, Dentes brancos, O homem dos autógrafos e Uma questão de beleza – todos editados pela Companhia das Letras. Publicou também contos e ensaios nos dois lados do Atlântico (leia “Esse sentimento astuto: Como eu escrevo um romance?“, no britânico Prospect). Seu primeiro livro, Dentes Brancos,...
Aldous Huxley e George Orwell escreveram as duas distopias mais populares do século XX. Admirável mundo novo e 1984 convergem e divergem em vários pontos. Ambos eram autores ingleses influenciados pelas crises políticas do começo do século XX. Huxley publicou Admirável mundo novo em 1932, após viver na Itália fascista de Mussolini. 1984 foi o...