Os Melhores Livros Brasileiros de 2009

Listas 2 setembro 2010 | 0 Comments

O Prêmio Jabuti é a principal premiação da literatura Brasileira. Criado em 1959 pela Câmera Brasileira do Livro, o Jabuti já foi entregue para alguns dos maiores escritores brasileiros: Jorge Amado, Érico Verissimo, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector e Milton Hatoum, pra citar alguns. Nesta quarta, 01/09, foi divulgada a lista dos finalistas para a edição de 2010. Concorrem obras inéditas, editadas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2009.

Entre os candidatos a melhor romance, três já foram honrados com o prêmio. João Ubaldo Ribeiro em 1985 com Viva o Povo Brasileiro; Chico Buarque em 1992 com Estorvo, seu primeiro romance; e o carioca Bernardo Carvalho, que garantiu seu único Jabuti em 2004, com Mongólia. Nesse mesmo ano, ocorreu um dos fatos mais inusitados da história do prêmio. Mesmo ficando com a terceira posição na categoria, Budapeste de Chico Buarque recebeu o prêmio máximo de melhor livro de ficção do ano.

Dias depois a CBL explicou que “os vencedores das 20 categorias são escolhidos somente pelos jurados e os Livros do Ano recebem também os votos do mercado editorial”.

Em 2010 os melhores livros de cada categoria serão revelados no dia 1 de outubro, enquanto os melhores livros no ano – ficção e não ficção – serão divulgado somente dia 4 de novembro. Vamos aguardar. Enquanto isso, confira as 10  melhores obras de literatura nacional nas categorias Romance e Contos/Crônicas. Para conhecer todos os candidatos das 21 categorias, visite o site oficial do prêmio.

ROMANCES

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Se Eu Fechar os Olhos Agora – Record –  EDNEY SILVESTRE

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Outra Vida – Objetiva – RODRIGO LACERDA

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Leite Derramado – Companhia das Letras – CHICO BUARQUE

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Primavera dos Dentes

Quinta do Conto 2 setembro 2010 | 1 Comment

Primavera dos Dentes - Por Noah Mera

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[Sobre amor, liberdade e outras coisas –principalmente as vermelhas]

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07:00 – Amarelo

Acordou atrasado, expulso da cama pelo fedor insuportável, prendeu a respiração enquanto arrumava-se apressado – não gostava de se olhar no espelho e hoje tinha uma desculpa perfeita, jogou água no cabelo, um punhado de gel, duas passadas de mão e estava pronto, escovou os dentes e correu decidido pelo apartamento, lá fora, livre do mau-cheiro, mas incomodado com outra coisa – um sonho a tentar se fazer lembrar talvez – teve um sono agitado e despertou de mau jeito.

Parou em frente ao apartamento do síndico e tocou a campainha, poucas e boas na ponta da língua, mas que foram se perdendo a cada respiração. Virou-se em direção às escadas. A porta abriu, apertou ainda mais o passo, em fuga. Lembrou que odiava confrontos.

No carro enquanto procurava o telefone do encanador se condenava – que bela maneira de começar o dia, o cheiro de merda a prenunciar o cagaço à porta do síndico.

8:00 – Verde

Observava Beatriz a desfilar pelo Escritório, passo leve, sorriso no rosto a me levar com ela, a me desafiar. Nunca prestei atenção nas mulheres. Nunca tinha me interessado por gente. Este período em que estou morando sozinho é o mais feliz da minha vida. Sou senhor do meu destino, controlo meu mundo com precisão matemática por que eliminei as variáveis incontroláveis da loucura humana. Não gosto das pessoas, não confio, acho estranho ter que dividir do meu espaço, do meu tempo, da minha vida com alguém. Definitivamente sou um solitário – e isso me basta.

Mas por que então ela me intriga tanto? Desde que começou a trabalhar aqui eu que sempre fui concentrado fico a divagar, perdido pelo escritório a imaginar vidas que ao a minha – vidas com e sem ela.

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Vivo Desprezado

[as]simetria 1 setembro 2010 | 0 Comments

Por Vivaldo Terres

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A dor que mora comigo,

Dentro do meu coração,

Não dá para se avaliar,

Pois é tremenda paixão.

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Amei uma mulher!

Que dizia me amar…

Devotei-lhe meu carinho,

Mesmo assim resolveu me abandonar.

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Confiava tanto nela,

Ofertando o meu amor,

Mas ela não compreendeu,

E por outro me trocou.

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Hoje vivo desprezado, já não penso!

Faço de tudo para não lembrar,

Daqueles momentos de pura ilusão,

Momentos felizes que eu tinha…

E que jamais voltarão.

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“O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade.” (Jean Cocteau). Tire sua poesia de dentro da gaveta e envie para mais1livro@gmail.com. Mais1Livro.com * Fascinados por livros.

“O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade.” (Jean Cocteau)

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Um Autor e Algumas Idéias Ou Sobre Uma Estrela Literária

Opinião! 31 agosto 2010 | 1 Comment

Por Noah Mera

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Máscaras e outros acessórios de vestuário antigamente separavam o homem comum do deus. A verdadeira mágica é o teatro que por instantes alça homens ao papel dos deuses – homens estes por vezes os atores, por vezes a platéia a deleitar-se com a comédia humana. Gregos, espertos que eram, tinham deuses demasiado humanos, a repetir como farsa todos os defeitos que os mortais insistem em cometer em nome do prazer em um teatro metafísico.

Alguns milênios depois, um outro Olimpo se firma e afirma embora efêmero e repetitivo. Como tudo nesta era de solidões compartilhadas este Olimpo se apresenta na forma de panteões particulares numa colcha de retalhos de deuses hora demasiado humanos hora inconvenientemente divinos. Nosso bardo, a televisão. Não me entendam mal, não quero aqui dizer que nosso rico (e muitas vezes patético) elenco de atrações televisivas desempenham papel comparável à mitologia, em minha opinião nossa sociedade precisa urgentemente revisar sua mitopoiese e estas contribuições surgirão nas mais diferentes manifestações da arte e da cultura. Mas enquanto esta reforma não vem os conteúdos televisivos e seus personagens vão sim, repetindo como farsa, como circo, cumprindo mal-e-mal  as funções e temas da mitologia e as comparações que faço aqui seguem esta perspectiva e proporções.

Senhores, quero compartilhar convosco minha experiência particular com um deus nanico, com ares de Vulcano e pretensões de Atena. Na antiguidade tínhamos Apolo Belenus, Atepomarus, Vindonnus, Zeus Capitolino, Xênios, Horkios. Hoje, mais numerosos e menos criativos, deuses costumam compartilhar seus aspectos, principalmente na figura do Popstar.

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Asimov e a internet

Etcetera 30 agosto 2010 | 1 Comment

No livro “Deus o abençoe, Dr. Kevorkian”, Kurt Vonnegut, o sucessor de Isaac Asimov na presidência da American Humanist Association (Associação Humanista Americana), descreveu o amigo como um escritor compulsivo. Pesando os mais de 400 títulos publicados pelo escritor russo-americano, não é difícil entender a descrição de Kurt.

Asimov foi um dos “Três Grandes” da ficção científica, um gênio com visão muito a frente do seu tempo. Antes mesmo da internet sair dos quartéis generais e de alguns laboratórios universitários, o escritor já antevia o potencial que a grande rede poderia ter na educação. Confira:


Fast Tube by Casper

A  entrevista foi gravada em 1988, para o programa de TV (ainda não existia YouTube, lembra dessa época?) World of Ideas. Genial.

Vídeo encontrado no ótimo blog Intensidade.

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Dark Saga III

Quinta do Conto 29 agosto 2010 | 0 Comments

Dark Saga III - Por Samuel da Costa

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Para Rute Margarida Rita e Renan Fillipi da Costa

Alma negra! Em escombros…negros ritos…negros prantos. Ritos sagrados! Em brancas brumas, black Soul and Black Vox. Alma negra em Quixadá! Negro pranto…nas ruas de Chicago! Negro drama, negro choro, nas favelas do Brasil. Negro drama nas savanas africanas ou em Orange City! Ou tiro certo na Amazônia colombiana. Negra sina em negro pranto. Nas ruas de Itajaí.

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José Luiz não soube o porquê de botar a velha garrucha, que pertenceu ao seu pai, na cintura e pegar o machado e ir cortar lenha sobre um sol forte. Mas naquele dia ele queria ficar sozinho em seus pensamentos. De fato isso estava longe de acontecer, pois parecia que uma multidão sussurrava em seus ouvidos. Eram vozes que a vinham desconexas, mas vinham com toda a força. José Luiz se lembra então do corte no pé, feito com o machado. Isso foi há algum tempo, não bastara ter um só braço, teve mais esse inconveniente em sua vida. E a lembrança do velho Adélio, seu avô e suas histórias, lhe invade a mente. Quando ele contava as histórias parecia que José Luiz fazia parte delas:

Foi antes da libertação dos escravo, o nego Lino que tinha chego aqui quasi morto depois de fugi da fazenda que ele era escravo. Logo depois o coronel Freitas passou por aqui com suas tropa, com os home dele, era tempo da guerra dos farrapo. Aquele nego logo pego a garrucha e afio a espada que deram pra ele, o nego Lino subiu no cavalo e seguiu viagem com a tropa. Dizem que aquele nego brigô igual a uma onça e mato muito Caramuru. Ele vortô de lá um nego forro…

Adélio parecia entrar em transe quando contava essas histórias, seus olhos brilhavam como se estivessem em brasas. Foi em meio às lembranças da infância e o barulho do machado partindo a lenha seca que José Luiz levou à mão a cintura para alcançar a arma, para depois apontar para o vazio. Um cheiro de sangue, pólvora queimada, gritos e o barulho de espadas que se digladiavam no ar invadiram o ambiente.

― Inferno de solidão ― diz Zé Luiz de si para si mesmo, ele sentia uma forte presença de alguém por perto. Uma entidade parecia deixar o ar mais pesado, era como se deuses antigos viessem lhe fazer uma breve visita. As histórias do velho Adélio estavam presentes naquele dia de sol e de solidão:

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Dark Saga II

Quinta do Conto 29 agosto 2010 | 0 Comments

Dark Saga II – Por Samuel da Costa

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Para Aristides Sousa Maia

Não há nada de novo no front. Somente aquela velha guerra suja, subterrânea & covarde. E uma triste constatação, que você deveria estar ao meu a lado, mas não está. Sou eu aldeia. Sou eu árvore…sou eu selvagem…sou eu livre…sou eu caído e derrotado…Tentando constatar o óbvio…Não há nada de novo no front…Somente aquela velha guerra suja, subterrânea & covarde…Que não acaba…E deveria acabar…Mas que já acabou…Mas não acaba…Que deveria ter acabado…Sou eu caído e derrotado…Constatando o óbvio..Que não há mais guerras para lutar.

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Martiniano em seu íntimo relutava em aceitar a sua nova realidade, aquela rotina diária, mas o fato era que estava se habituando a ela. Estava se habituando à espera, às vezes breve com um raio, outrora demorada, como seu o tempo pairasse no ar. Às vezes de dia, outrora à noite, a chuva e o sol, o calor e o frio e por fim fome e a fartura. Mas uma coisa não mudava em absoluto, era cheiro de sangue, a pólvora queimada e o barulho de espada que se digladiavam no ar. O desespero de alguns e o ódio de outros, e ter que olhar nos olhos do inimigo e ele aos seus enquanto o matava. E pergunta do porquê de estar ali não lhe saía da cabeça, mesmo que promessas de liberdade lhe foram dadas pelo coronel Freitas ao se juntar a sua tropa. E era também um fato o seu novo hábito de manusear armas de fogo. Por um esfarrapado uniforme militar, e ter que matar os ‘’Caramurus’’, para quem estava habituado a caçar animais no velho mundo. Caçar com as mãos e se defender com as mãos, eram coisas muito distantes de sua realidade atual. Aprisionado, junto com seu povo, e posto a ferros para em seguida ser vendido como escravo em Nova Lisboa em Angola: ― Minha rainha Kianda! ― diz o amargurado Martiniano de si para si mesmo, enquanto tomava o amargo na cúia a contemplar a coxilha. Eram breves os momentos de paz, breves e dolorosos. Tinha que se esquecer da promessa que fizera ao seu rei, que iria proteger sua rainha com a própria vida se assim fosse preciso. Tinha feito essa promessa também para si mesmo, pois a amava. E deixa – lá para trás não estava em seus planos, como também mudar de nome. Mas a vergonha de ter abandonado sua rainha para trás era grande demais. Ela quis ficar e enfrentar o que tinha feito, não queria viver como uma cativa ou fugitiva. Apesar dos apelos dele, ela quis ficar e enfrentar seu destino.

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Dark Saga I

Quinta do Conto 19 agosto 2010 | 0 Comments

Dark Saga - Por Samuel da Costa

para Miguel Maria da Costa

Meu filho…quando tu nasceres…serás…tão belo,tão casto. Pois ela pariu! Um menino! Ah meu filho! Tão puro! Tão casto!

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― Marguerite! Já podes servir o jantar! ― O tom da dona da casa era formal e pastoso, para disfarçar o ódio que sentia para com a mulher que a servia. “Dona Madalena” sabia como se relacionavam os homens e as escravas em seu mundo. Escravos, e principalmente as escravas, deveriam servir seus senhores e senhoras em todos os sentidos. Quando o marido de Madalena voltou do mercado de escravos com um “novo lote”, trazendo aquela negra com porte de rainha, Madalena foi tomada de um adágio. O marido de Madalena, fazendeiro prospero e senhor de muitos escravos, decidiu por aquela escrava para dentro da casa grande. A dona da casa, não precisou fazer um grande esforço para descobrir o porquê de seu marido tomar tal atitude. Mas o que Madalena não sabia era que o nome dela era Kianda, e que ela fora rainha no velho mundo. Aprisionada, junto com seu povo, e posta a ferros, para em seguida ser vendida como escrava em Nova Lisboa em Angola.

― Já podes se retirar Marguerite! ― Ordena Madalena, forçando um sotaque afrancesado, a sua serva após a mesma por a mesa.

― Por que não à chama de Margarida? Por que “tem” que usar a língua dos “outro”! ―Esbraveja Gumercindo, pois aquele rústico dono de fazenda, jamais entenderia o porquê de uma dama nascida e criada na corte, com seus “ares” refinados frutos de aulas particulares e breves viagens ao estrangeiro, tratar os escravos daquela forma tão refinada.

― Deus… como pude cair tão baixo? E parar nesse fim de mundo! Sussurra a dama da casa de forma impensada.

― Disse alguma coisa mulher?

― Não disse nada, meu marido…― O tom irônico de Madalena constrangia Gumercindo, pois a esposa ,que ele “encomendara” da corte, tinha esse péssimo hábito de o desafiar, coisa que dificilmente uma “nativa” faria.

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