Por Laiane Carniel

Na série Bibliotecas Pelo Mundo desta semana você vai poder conhecer o que seria uma grande biblioteca, se não tivesse sido destruída.

Visita ao memorial da biblioteca

Em torno de 20 mil livros foram destruídos da biblioteca da renomada Humboldt University, em Berlin, na noite do dia 10 de maio de 1933, período em que os nazistas assumiram o controle da Alemanha. O motivo? Os livros eram considerados “inimigos”. No lugar foi construído um memorial subterrâneo onde as pessoas contemplam as prateleiras vazias do que poderia ser uma coleção inestimável, já que muitas obras eram únicas e foram perdidas para sempre.

A Universidade Humboldt de Berlim é a mais antiga universidade de Berlim, fundada em 1810 como Universidade de Berlim pelo lingüista e educador liberal prussiano Wilhelm von Humboldt, cujo modelo universitário influenciou fortemente outras universidades européias e ocidentais. Em 1949, trocou seu nome para Humboldt-Universität em homenagem a seu fundador. A universidade é pública e conta com um número elevado de estudantes, os últimos dados apontam 37.145 alunos.

Muitos pensadores e escritores alemães passaram pela Humboldt University, entre eles o filósofo idealista G.W.F. Hegel, o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer e os famosos físicos Albert Einstein e Max Planck. Os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels freqüentaram a universidade, assim como o unificador alemão Otto von Bismarck e poeta Heinrich Heine, que foi fundador da corrente do feuilleton, caracterizado hoje como jornalismo cultural, que inclui ensaios críticos sobre cultura, como arte, literatura e teatro.

Heine também influenciou o Brasil, no poema O Navio Negreiro, do original alemão Das Sklavenschiff, de 1853/54, o escritor alemão retrata a condição dos prisioneiros de um navio negreiro aportado no Rio de Janeiro. O poema foi base de inspiração para o escritor brasileiro Castro Alves, em seu poema também intitulado de O Navio Negreiro. Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre eles Machado de Assis, Gonçalves Dias, Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira. A universidade teve 29 ganhadores do Prêmio Nobel.

A obra de Heinrich Heine também está presente na epígrafe do memorial das prateleiras vazias: “Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen”, que significa: “Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas”.

Preteleiras vazias do memorial

As fotos foram feitas por Vinicius de Oliveira, acadêmico do curso de automação da UFSC e entre março e agosto de 2009 realizou um estágio para o Instituto Max-Planck, em Magdeburg, Alemanha.

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