“I guess there are never enough books.”
John Steinbeck

Infra
Minhas férias

Minhas férias

  Peço desculpas, tem tempo que eu não apareço. Mais que isso, tem uns dois meses. Pois bem, ora pois, o que eu andei fazendo nesse meio tempo é sim do interesse da coluna e pode ser explicado em poucas palavras: estava escrevendo um livro, um romance. Então é isso, fui a São Paulo, varei...
Macaqueção

Macaqueção

    Lendo um que outro blogue por aqui e por ali, vendo egos inflarem e desinflarem seguindo a maré de resenhas, comentários e críticas (ew) opiniosos e personalistas, quando não claramente subsidiadas, desenvolvi umas teorias pra explicar minha vontade de ir morar (talvez até escrever) no meio do mato. A internet propicia um mal...
O alienista

O alienista

    (brasília, chuva torrencial pro padrão brasiliense, mind eraser, do black keys, no som)   Os habitantes do Rio Grande do Sul sempre arranjaram uma maneira, até hoje arranjam, de destacar o quão separado o estado está do resto do país ao qual, por acaso e infortúnio, pertence. Isso vai das sagas regionalistas ao...
Eles eram poucos cavalos (com siglas pra ser hipster)

Eles eram poucos cavalos (com siglas pra ser hipster)

  Por Hugo Crema Compro livros com algum fervor e os leio com um pouco menos de fervor. Compro por um impulso de traça, de achar que atrás de cada capa estranha pode estar a revolução. Às vezes calha de algum desses livros serem de jovem autor de literatura brasileira contemporânea (JALBC), às vezes, convencido...
Procurem as coordenadas -24.037724,-70.440034 no google maps

Procurem as coordenadas -24.037724,-70.440034 no google maps

  Por Hugo Crema Só elementos visualistas indiciam a violência em Estrella Distante, e mesmo assim, pouco conclusivamente: fotos, filmes, e palavras de ordem riscadas no céu. E há nada de cruento nessas descrições, no máximo um cuerpos destrozados aqui e ali. O terror, o verdadeiro terror, está no poder de antecipação e sugestão, é...
fuga adiante em círculos

fuga adiante em círculos

  Por Hugo Crema o primeiro livro do e.e. cummings é uma autobiografia (besteira dizer que ficcional), saiu em 1926. Eça de Queiroz, Salinger, Juó Bananére apareciam como personagens em seus livros. eram esses caras desengessadores da literatura a partir daí? ainda mais num país onde endeusamos transgressão (flip pra oswald de andrade, o selo...
Complexo de Cupim com asas

Complexo de Cupim com asas

  Borges disse que comparar Londres a um labirinto Dickens e Chesterton já tinham feito, não repetirei o erro. São Paulo é a cidade da errância, a despeito da eficácia ou não de meios de transporte, não se chega a um ponto, só é possível voejar em torno, imaginá-lo, dar-lhe um contorno a partir do...
Ecos&Overdrive: Sinédoque&Paralaxe

Ecos&Overdrive: Sinédoque&Paralaxe

  Por Hugo Crema   brasília, calor nublado, stephen malkmus no som.   Como semana que vem quero problematizar o rótulo transgressor, usado a torto e a direito no por aí, esta semana vou falar sobre referencial e representação. Espero ser claro o suficiente e não muito chato. Borges usa sempre uma metáfora que pode...
de por que meia noite em paris diz nada que preste

de por que meia noite em paris diz nada que preste

  pois então, e uma mania milenar – deste ofício mais – que se, para ser modesto, acochambre biografias, no mais das vezes com propósitos laudatórios. penso em Holderlin, em Walser (o Robert nao o Martin), em Bolaño, em Joca Terron, nesses marcos teóricos que tão mais fascinam pelo atribulado, geralmente autorreferido, das vidas. quase...
seis de setembro

seis de setembro

  As panteras das plumas & as tranças das estrelas numa fuselagem sem saída R. Piva.   e durante toda a tarde o silêncio. dentro da casa. latejando o que o receio de um e a raiva do outro recusavam vozear. roendo. o assoalho vibra sob os passos que entram na cozinha remoendo. vibra, não...
Trinta e um de agosto

Trinta e um de agosto

  Sentei noite dessas pra escrever isso aqui. Do jeito que eu gosto, com sono. Fico encafifado a semana inteira com o imperativo periódico desta coluna mas preciso de um rompante pra romper. Já tinha avisado que queria escrever algo sobre irredutibilidade tradutória. Mas, puta que pariu, saiu um pedaço de ficção. A princípio um...
Volatilidade violável tradutória (autocarta pra daqui a vinte anos)

Volatilidade violável tradutória (autocarta pra daqui a vinte anos)

  Brasília, calor, Sonic Youth tocando Se existe um compromisso intelectual pelo qual eu prezo é o da independência. Mais do que ser rigoroso, não estar vinculado é a maneira convincente de pavimentar uma voz; por mais tributário, sectário, afluente, o jeito mediante o qual recombino, ressignifico o material legado diz respeito a mim e...