Eles eram poucos cavalos (com siglas pra ser hipster)
Por Hugo Crema Compro livros com algum fervor e os leio com um pouco menos de fervor. Compro por um impulso de traça, de achar que atrás de cada capa estranha pode estar a revolução. Às vezes calha de algum desses livros serem de jovem autor de literatura brasileira contemporânea (JALBC), às vezes, convencido...
Print on demand: solução ou problema maior?
Recentemente vi que há, além das publicações individuais em e-books, uma nova maneira de publicação chamada POD – print on demand -, mais uma maneira de evitar o grande desperdício que ocorre nas editoras quando o livro não tem a saída esperada, ou ainda quando há eventuais erros de revisão, diagramação, etc. O serviço...
Procurem as coordenadas -24.037724,-70.440034 no google maps
Por Hugo Crema Só elementos visualistas indiciam a violência em Estrella Distante, e mesmo assim, pouco conclusivamente: fotos, filmes, e palavras de ordem riscadas no céu. E há nada de cruento nessas descrições, no máximo um cuerpos destrozados aqui e ali. O terror, o verdadeiro terror, está no poder de antecipação e sugestão, é...
fuga adiante em círculos
Por Hugo Crema o primeiro livro do e.e. cummings é uma autobiografia (besteira dizer que ficcional), saiu em 1926. Eça de Queiroz, Salinger, Juó Bananére apareciam como personagens em seus livros. eram esses caras desengessadores da literatura a partir daí? ainda mais num país onde endeusamos transgressão (flip pra oswald de andrade, o selo...
Complexo de Cupim com asas
Borges disse que comparar Londres a um labirinto Dickens e Chesterton já tinham feito, não repetirei o erro. São Paulo é a cidade da errância, a despeito da eficácia ou não de meios de transporte, não se chega a um ponto, só é possível voejar em torno, imaginá-lo, dar-lhe um contorno a partir do...
Ecos&Overdrive: Sinédoque&Paralaxe
Por Hugo Crema brasília, calor nublado, stephen malkmus no som. Como semana que vem quero problematizar o rótulo transgressor, usado a torto e a direito no por aí, esta semana vou falar sobre referencial e representação. Espero ser claro o suficiente e não muito chato. Borges usa sempre uma metáfora que pode...
de por que meia noite em paris diz nada que preste
pois então, e uma mania milenar – deste ofício mais – que se, para ser modesto, acochambre biografias, no mais das vezes com propósitos laudatórios. penso em Holderlin, em Walser (o Robert nao o Martin), em Bolaño, em Joca Terron, nesses marcos teóricos que tão mais fascinam pelo atribulado, geralmente autorreferido, das vidas. quase...
seis de setembro
As panteras das plumas & as tranças das estrelas numa fuselagem sem saída R. Piva. e durante toda a tarde o silêncio. dentro da casa. latejando o que o receio de um e a raiva do outro recusavam vozear. roendo. o assoalho vibra sob os passos que entram na cozinha remoendo. vibra, não...
Trinta e um de agosto
Sentei noite dessas pra escrever isso aqui. Do jeito que eu gosto, com sono. Fico encafifado a semana inteira com o imperativo periódico desta coluna mas preciso de um rompante pra romper. Já tinha avisado que queria escrever algo sobre irredutibilidade tradutória. Mas, puta que pariu, saiu um pedaço de ficção. A princípio um...
Volatilidade violável tradutória (autocarta pra daqui a vinte anos)
Brasília, calor, Sonic Youth tocando Se existe um compromisso intelectual pelo qual eu prezo é o da independência. Mais do que ser rigoroso, não estar vinculado é a maneira convincente de pavimentar uma voz; por mais tributário, sectário, afluente, o jeito mediante o qual recombino, ressignifico o material legado diz respeito a mim e...
Magia real dentro do irreal
Existem muitos livros que abordam a metalinguagem, um livro que fala de um livro. Um bom exemplo é Coração de Tinta, de Cornelia Funke, que baseia sua história em seres que saem dos livros para o mundo real. Isso ocorre porque os livros geram em nós uma grande fascinação, temos a impressão que algo ocorre lá...

