Borges disse que comparar Londres a um labirinto Dickens e Chesterton já tinham feito, não repetirei o erro.
São Paulo é a cidade da errância, a despeito da eficácia ou não de meios de transporte, não se chega a um ponto, só é possível voejar em torno, imaginá-lo, dar-lhe um contorno a partir do que te cerca na hora de imaginar, não imaginar que o taxista só vai revelar na última hora que ele não pode chegar mais perto, lá é contra-mão, imaginar a viela que levaria ao ponto, imaginar um assalto que ocorreria caso achássemos essa viela, imaginar a ferrugem do canivete, o automático e a premência da ordem, as olhadelas prum lado e outro, voejando pro que possa vir a ser testemunha, imaginar tudo isso que torna a viela, por sua vez, um ponto, em torno do qual voejo. É a cidade da repetição, como as músicas daquele cd que toca no taxi, tudo é só minimamente diferente do que veio antes, variações imperceptíveis, ad nauseam, por isso a sensação de vagar em círculo, circular.

