pois então, e uma mania milenar – deste ofício mais – que se, para ser modesto, acochambre biografias, no mais das vezes com propósitos laudatórios. penso em Holderlin, em Walser (o Robert nao o Martin), em Bolaño, em Joca Terron, nesses marcos teóricos que tão mais fascinam pelo atribulado, geralmente autorreferido, das vidas. quase como se o heroísmo dessas trajetórias não comportasse as brechas enfadonhas que compõem a praxe do comum das gentes. quase como se fosse proibido imaginar o Noll reprovando na provinha de inglês ou mijando. a exuberância dessas autoficções é tão violenta que cega. um aparte, o que seria de nós se não fossem as autoficções?, eu mesmo já tentei criar um verbete pra mim na wikipedia e fui impedido, levantar uma bandeira é a moeda de troca das relações humanas. e ninguém melhor que um escritor para conhecer e modular a emissão destas autoficções, a carapuça neles de fato serve. serve e serve pra vender. desconfio um pouco da misantropia de um kafka, de um andré de leones (escritores que tem em comum a relação tangencial com o judaísmo e o apreço por um vocabulário que reflita o enredo, a saber: alemão notarial e português de blogue). parece que a Carolina Bolaño desmentiu a história propagada por seu marido de que ele ao chegar ilegal na espanha conseguia dinheiro ganhando concursos literários de cidadezinhas. gente, rola todo um aparato midiático em torno disso, e regido por cálculos mais antigos que os da indústria de celebridades. como espécimes de um raça fabuladora dá pra esperar que escritores tentem controlar a recepção dos outros. o que não dá pra esperar e que isso vira justificativa, mote para produção. de aventureiro me basta Rimbaud, minha ocupação é muito mais burocrática e menos etílica do que atravessar um deserto ou traficar mulheres. e depende muito mais de capacidade de processamento do que do vivido. um dos meus escritores favoritos da lit brasileira atual e timidíssimo e professor de português de ensino médio, o irmão dele, fundador de um jornal revolucionário e comediante da globo, e que parece que tem a vida marcante. e o meu querido nem se aproveita disso pra nada. mas disso de biografia eu vou falar depois.
