Por Hugo Crema
Compro livros com algum fervor e os leio com um pouco menos de fervor. Compro por um impulso de traça, de achar que atrás de cada capa estranha pode estar a revolução. Às vezes calha de algum desses livros serem de jovem autor de literatura brasileira contemporânea (JALBC), às vezes, convencido pela internet, compro justamente por ser de algum JALBC. Hoje, Leandro Cassandra Mayfair acordou se perguntando e me perguntando por que ler JALBC e, principalmente por que querer ser um JALBC. Bom, 1º aponto uma mutreta publicitária, o roquenrou fez o motor do consumo passar da mão dos velhos pra dos jovens, e fez a literatura, insigne reduto de velhinhos e velhinhas, passar a ser consumida e talvez produzida por novinhos e novinhas: a produção de oficinas literárias e blogues¹ precisa desovar em algum lugar. Charme veterano: 4 romances aos 26. Questão é, do ponto de vista estilístico não dá pra dar muito crédito pr’essa vontade novidadeira. Sim, leitor, estamos falando do problema da influência² aparente no JALBC, estamos falando do pedantismo do estilo, de o JALBC não ter tido tempo para desbastar a linguagem e acabar virando um “exímio impressionista” (isso é citação da orelha de um livro, na verdade eu queria dizer um exímio Whisner Fraga), estamos falando da busca por um certo “vínculo geracional” por meio do uso de “referências pop”, estamos falando portanto de uma condenável e sistêmica vontade de auto-afirmação por meio de filiação. Sorte que de vez em quando me aparece um exemplar que compensa os outros, parabéns aí Brisa Paim, Estevão Azevedo e Ismar Tirelli Neto.
Quanto a mim, se tudo der certo, sagrar-me-ei jovem autor de literatura mexicana extemporânea. lml.
¹nenhum dos dois me parece um veículo lá muito honesta pra literatura: enquanto a oficina faz apologia do mot juste, o blogue faz apologia do insight.
² influência agravada pelo apreço do JALBC pela literatura contemporânea mundial (LCM), ou seja a publicada pela Cia Letras.

