Por Luiz Fernando Cardoso

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“O ano é 1983. O experiente repórter Humberto Morabito está indo ao encontro de uma comitiva de jornalistas peruanos para investigar o assassinato de guerrilheiros do Sendero Luminoso quando conhece, de maneira arrebatadora, a misteriosa Beatriz. O encontro o faz extraviar-se do grupo, que é brutalmente assassinado ao chegar a Uchuraccay – minúsculo e remoto povoado dos Andes, situado a mais de 4 mil metros do nível do mar. O massacre abala o Peru e o mundo e mergulha Humberto no que o Peru tem de mais profundo e secreto e o envolve numa trama de mistério, intrigas, espionagem e violência”.

A apresentação é do livro “Fuga dos Andes”, do escritor e jornalista José Pedriali, 54 anos. Humberto Morabito é um personagem inspirado nele mesmo, experiente jornalista que escapou da morte nos Andes porque perdeu a carona da comitiva de jornalistas. Estava ocupado com uma bela argentina, fazendo vocês podem imaginar o que…

Pedriali me contou suas aventuras nos Andes, quando era correspondente internacional por lá e tinha mais ou menos minha idade (29 anos), na cantina do jornal. Por várias vezes, convidei-me para jantar no mesmo horário que ele. Tinha muito a aprender com o colega e estava curioso sobre a história que daria corpo a seu novo livro. E que livro. Estou lendo, e amando. A história de vida de Pedriali me inquieta a realizar meu grande sonho: ser escritor – além de jornalista.

Abaixo, a entrevista que fiz com o amigo, dias antes dele se despedir da redação de O Diário. Hoje, tornou a escrever para a Agência Estado. Quando o jornalismo não ocupa sua agenda, sei bem, ele passa boas horas escrevendo seus romances. Todos, dignos das melhores críticas.

Mais 1 Livro – Qual seu primeiro livro e quando foi publicado?

José Pedriali – “Guerreiros da Virgem – a vida secreta da TFP”. Penetro nos bastidores da organização de extrema-direita “Tradição, Família e Propriedade”, que foi muito atuante durante quatro décadas, a partir de 1960. É, portanto, um livro de reportagem e também testemunhal, pois pertenci a esta organização na minha adolescência. Foi lançado em 2005, pela EMW, editora que deu origem à Geração Editorial.

Quantos livros já publicou, qual o último?

Quatro. O último é “Fuga dos Andes”, lançado em outubro de 2009 pela Editora Record. O livro acaba de ser lançado, e o mercado brasileiro é muito lento para absorver qualquer novidade. Tenho esperança de que ele se consolide com o tempo.

Qual livro vendeu mais?

“Guerreiros da Virgem” vendeu 10 mil exemplares.

Você está trabalhando atualmente em outra obra… ela trata de que? Como se chamará o livro e qual a previsão de lançamento?

Acabo de concluir “O anel do capitão Shepherd”, que é um romance histórico tendo como protagonista James Shepherd, um escocês que serviu à Marinha do Brasil em seus primórdios. Teve atuação destacada na consolidação da independência – chegou ao Brasil seis meses depois do grito do Ipiranga – e do território nacional, sob as ordens do almirante Thomas Cochrane, primeiro comandante naval do Brasil. E morreu em Carmen de Patagones, Argentina, em 1827, quando chefiava uma missão para neutralizar um reduto corsário que causava enormes prejuízos ao comércio naval do Brasil. Isso foi durante a Guerra da Cisplatina, o conflito entre o Brasil e a Argentina pela posse do Uruguai, que acabou empatado e o Uruguai independente. Ainda não há por enquanto previsão de lançamento.

Sei que você esteve na Argentina para conhecer o lugar onde tudo se passa. Isso é importante para um escritor?

Passei uma semana em Carmen de Patagones para conferir informações. A visita ao cenário da narrativa é sempre bem-vinda, às vezes fundamental, como ocorreu comigo nessa viagem: retifiquei informações cruciais com base no que vi in loco.

Como você avalia o mercado frente a tantas novidades tecnológicas?

Por mais inovações que tenhamos, e o livro digital está ganhando terreno, o impresso continuará absoluto.

Você esperava se tornar um escritor quando mais jovem?

Sim, foi o que me levou ao jornalismo. E quando completei 50 anos de vida e 30 de jornalismo, me cobrei: onde estava o escritor que sempre quis ser? Foi então que pus mãos e cérebro para trabalhar.

Que conselho você dá para quem quer ter sucesso como escritor?

Trabalho e dedicação, dedicação e trabalho. E paciência, muita paciência.

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