Por Hugo Crema

o primeiro livro do e.e. cummings é uma autobiografia (besteira dizer que ficcional), saiu em 1926. Eça de Queiroz, Salinger, Juó Bananére apareciam como personagens em seus livros. eram esses caras desengessadores da literatura a partir daí?

ainda mais num país onde endeusamos transgressão (flip pra oswald de andrade, o selo má companhia, et ali), é comum dar ao livro que seadvoga transgressivo o status de salvador da literatura, renovador, e por isso continuador sendo que, na verdade, aquelas práticas ali já entraram e saíram de voga pelo menos três vezes ao longo do século passado. um livro transgressivo é como a roupa nova do rei, quem não capta não é sagaz, é como errar de propósito a descrição de uma batalha pra ver se alguém percebe. mas eu não estou interessado nisso e a legitimação da obra não tem por quê passar muito pela dos procedimentos. a saber, um livro como Não Há Nada Lá não é melhor porque ficcionaliza e põe para agir personagens antes conhecidos dessa maneira, essa ressignificação é um jeito de fazer, não torna melhor, torna mais vendável. transgressivo seria um livro que apostasse no pleno controle de seus efeitos ao invés de nos fogos de artifícios dessas brincadeirinhas. lml.

 

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