Por Hugo Crema
o primeiro livro do e.e. cummings é uma autobiografia (besteira dizer que ficcional), saiu em 1926. Eça de Queiroz, Salinger, Juó Bananére apareciam como personagens em seus livros. eram esses caras desengessadores da literatura a partir daí?
ainda mais num país onde endeusamos transgressão (flip pra oswald de andrade, o selo má companhia, et ali), é comum dar ao livro que seadvoga transgressivo o status de salvador da literatura, renovador, e por isso continuador sendo que, na verdade, aquelas práticas ali já entraram e saíram de voga pelo menos três vezes ao longo do século passado. um livro transgressivo é como a roupa nova do rei, quem não capta não é sagaz, é como errar de propósito a descrição de uma batalha pra ver se alguém percebe. mas eu não estou interessado nisso e a legitimação da obra não tem por quê passar muito pela dos procedimentos. a saber, um livro como Não Há Nada Lá não é melhor porque ficcionaliza e põe para agir personagens antes conhecidos dessa maneira, essa ressignificação é um jeito de fazer, não torna melhor, torna mais vendável. transgressivo seria um livro que apostasse no pleno controle de seus efeitos ao invés de nos fogos de artifícios dessas brincadeirinhas. lml.


1 comment
Lucas Galvão says:
out 12, 2011
Essa coisa do escritor de papel messiânico é mesmo curiosa. Só não colocaria o Juó Bananere nesse meio. É certo que se vem dando a ele um certo papel de crítico da tradição de literatura brasileira. Isto em virtude de suas paródias em italiano macarrônico, muito falado nos guetos paulistanos, de poemas tornados icônicos entre nós. Entretanto, no pouco que sei dele, não acho que isto tenha sido intencional ou, como em 22, fruto da consciência de uma necessidade de revolução formal e temática em literatura a partir do contato com as experiências estéticas de vanguarda francesas. Trata-se antes de um jornalista cujo contato com a questão da imigração italiana resolveu fazer piada de Olavo Bilac, Gonçalves Dias etc. patavinas…