Estamos em um momento importante em que se discute a produção e mercado de quadrinhos no Brasil, como exemplo a  polêmica que o Erico Assis tentou fomentar sobre a inclusão de uma categoria quadrinhos no Prêmio Jabuti no blog da Cia. Indicativo de um mercado em crescimento é o  investimento crescente de grandes e pequenas editoras  em quadrinhos (que, se longe que um “boom”, ainda assim é muito maior do que o de anos anteriores) e a proliferação de Convenções de quadrinhos Brasil a fora (além do tradicional FIQ de Belo Horizonte – MG de 2010 prá cá vimos nascer a Rio ComicCon do Rio de Janeiro – RJ, a HQCon de Florianópolis – SC, a Multiverso  ComicCon de Porto Alegre – RS e a recém realizada GIBICON de Curitiba – PR).

A GIBICON nº 0 ocorreu de 15 a 17 de julho com resultados muito positivos. Se a numeração e intenção da convenção indica um “preview” – com sua programação espremida e até modesta comparada à suas irmãs nacionais – não sei o que esperar da nº 1. O que se viu nos três dias de convenção foi o centro histórico de Curitiba respirando quadrinhos a ponto da convenção ser comparada ao festival de Angoulême, um dos principais eventos de quadrinhos do mundo.

Ponto positivo da organização da convenção em distribuir os principais eventos da GIBICON em três pontos charmosos e muito próximos do centro histórico de Curitiba, o Solar do Barão (onde se localiza a gibiteca de Curitiba – uma das primeiras e mais importantes do país), o Paço da Liberdade e o Memorial de Curitiba.

Os fãs foram muito bem servidos com sessão de autógrafos, exposições, as palestras de Sidney Gusman (apresentando o grande Case dos quadrinhos no Brasil, o estúdio Mauricio de Sousa) a apresentação do filme “Malditos Cartunistas” e a palestra de Lourenço Mutarelli (que na sua relação de amor e ódio com os quadrinhos estava meio perdido, reclamou da falta de mediador, mas encontrou um auditório completamente lotado, com pessoas acomodadas na sala ao lado daquela reservada à palestra, sentadas no chão e em pé ao longo dos corredores do Paço e em clima de total reverência – emocionante)

Os profissionais e/ou interessados em ingressar na carreira puderam realizar oficinas com grandes profissionais dos quadrinhos (como Ivan Reis, Joe Bennet e os profissionais do Estúdio Impacto).

Interessante também não apenas apresentar o mercado americano e brasileiro, mas também preocupar-se em mostrar os quadrinhos argentinos – com o artista Salvador Sanz – o quadrinista alemão Hens Harder, o Françês Hervé Bourhis ( de “O Pequeno Livro do Rock” e  “O pequeno Livros dos Beatles”, que estava autografando no shopping Barigui) e trazer convidados de um dos maiores mercados mundiais da banda desenhada, a Itália. Estavam presentes o homenageado do evento, Fábio Civitelli, desenhista de TEX, equipe da editora Bonneli, e o agente Tommaso D’Alessandro que veio ao brasil a caça de talentos.

Os quadrinhos regionais também não foram esquecidos com mesas de debate sobre o quadrinho curitibano e sobre o humor curitibano (sim, ele existe). Estas mesas são um dos pontos mais positivos do encontro, já que mostra a força e os talentos locais (como o próprio José Aguiar – organizador do evento  e quadrinista, entre outros títulos do recente e excelente Vigor Mortis Comics – DW, Guilherme Caldas, Rômolo, Solda, Benett…) e ajudam a divulgar a cultura dos quadrinhos curitibanos, uma tradição de mas de 30 anos que não tem estado no cotidiano da cidade. Algo que certamente a Gibicon ajudou a mudar.

Tudo isso em três dias! E que venha a GIBICON nº1!

 

P.S: Aos desavisados ainda dá tempo de visitar as exposições da GIBICON no Goethe Institut, Solar do Barão, Jokers Pub e Museu da Gravura.

 

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