Recentemente, num comentário de facebook, a tradutora Denise Bottmann argumentava que não gostava no Edgar Allan Poe de alguns aspectos que lhe soavam artificiosos e referenciais/circunstanciais demais.
Artifícios e referências são os dois motores de Não há nada lá, empregar esses recursos justificam a qualidade do livro ao encerrá-lo na gaveta da homenagem. Não se trata do simples expurgo de influências que é comum em livros de estreia¹, são de trinta e tantos anos de leitura condensados. Noto autenticidade na reverência/namedropping, e não recurso publicitário, que é o que foi a praxe na década 00. Pra mim, é aí, e só aí, que o Joca Terron vence, na hora de abraçar sem pudores os afetos bibliográficos.
Não há nada lá acaba por se revelar um livro razoável quando processa as reminiscências de todo um percurso leitor, não obstante algumas manipulações pueris, deslumbradas do fraseado e do tratamento gráfico. lml.
Título: Não há nada lá
Autor: Joca Reiners Terron
Editora: Companhia das Letras – Má Companhia
Número de páginas: 160
Preço de catálogo: R$ 24,00
¹antes deste, o autor publicou o livro de poemas Eletroencefalodrama (Ciência do Acidente, 1998).

