Capitão América é o novo produto da atual safra de filmes da editora MARVEL que se inicia em Homem de Ferro (mesmo que os Filmes do Hulk sejam considerados dentro do microuniverso dos vingadores na metafranquia, a receita utilizada vem sendo refinada desde o filme estrelado por Robert Downey Jr). Chamo de metafranquia por que a série de filmes, cada um protagonizado por um personagem diferente do universo MARVEL dos quadrinhos, tem pequenas referências e pontos de intersecção que levarão a um filme onde os heróis serão reunidos em uma única equipe: Os Vingadores.
O expediente, comum nos quadrinhos, de um universo compartilhado é algo complexo de ser trabalhado no cinema, mas até agora o resultado tem sido satisfatório, mesmo que os filmes tenham mais de apresentação dos personagens individualmente do que preparação para o futuro filme dos Vingadores.
E por estranho que pareça (já que o filme do Capitão América se passa na segunda guerra mundial e os outros no presente) é o filme mais amarrado, aquele que melhor prepara o caminho para o filme da futura equipe e o mais resolvido também!
Homem de Ferro é divertido, mas é pouco mais que um clipe sustentado pelo carisma do ator principal, Thor não funciona quando o foco é a terra e os filmes do Hulk foram um fracasso (apesar de pessoalmente gostar muito de ambos).
Já no filme do Capitão América, todos estavam receosos, primeiro pelo próprio personagem, um soldado perfeito que veste a bandeira americana em um período com contornos bem maniqueístas da história e também haviam dúvidas sobre a capacidade de Cris Evans em protagonizar o filme.
Surpreendentemente o ator se sai muito melhor que a encomenda e segura o filme até mesmo na fase inicial (que é justamente a melhor do filme) onde surge como um esquelético, mas determinado Steve Rogers disposto a, apesar da saúde frágil, lutar no front onde seu pai faleceu e ajudar na guerra (perceba a motivação pessoal e não patriótica que move o personagem). A firme determinação do jovem acaba comovendo o cientista Abraham Erskine (Stanley Tutti) envolvido em um projeto de criação de “supersoldados” dos quais Steve Rogers acaba sendo o primeiro e único.
Com a morte de Erskine logo após o experimento que transforma Rogers no supersoldado, o Coronel Chester Phillips (Tomy Lee Jones) acaba vendo sua ambição de um grande exercito invencível naufragar – que diferença faz uma pessoa na guerra? – Então Rogers passa a ser utilizado como propaganda para conseguir recursos para o esforço de guerra. É uma diferença gritante com o filme padrão de herói, onde a ideologia vendida é a de que, sim, o esforço individual é que faz a diferença. A maneira como o filme mostra o período de garoto propaganda do Capitão América também dribla de maneira certeira o temido ufanismo do filme.
Da segunda metade do filme em diante o Capitão América entra em ação em uma guerra paralela, contra a Hidra, uma sociedade secreta liderada por um supersoldado criado a partir de uma formula anterior com efeitos colaterais que o desfiguraram. O Caveira Vermelha é um vilão que mesmo interpretado por um grande ator (Hugo Weaving) soa apenas correto na tela (e até isso é um acerto do filme, já que nos outros filmes de super-herói o vilão invariavelmente acaba tomando o lugar do herói).
Fato é que esta segunda parte é bem menos empolgante que a primeira, a despeito das cenas de ação. Ainda assim Capitão América é um bom filme de aventura, com soluções elegantes na adaptação das HQs para o cinema e que nos deixa ansiosos pela seqüência em OS VINGADORES
A integração com os universo Marvel se dá através dos personagens Howard Stark, pai do Homem de Ferro que tem uma participação talvez até extensa demais no filme (a seqüência em que serve de piloto é desnecessária) e da presença de um artefato asgaardiano (o cubo cósmico, uma fonte de energia imensurável que cai nas mãos do Caveira Vermelha).

