Por Hugo Crema
Só elementos visualistas indiciam a violência em Estrella Distante, e mesmo assim, pouco conclusivamente: fotos, filmes, e palavras de ordem riscadas no céu. E há nada de cruento nessas descrições, no máximo um cuerpos destrozados aqui e ali. O terror, o verdadeiro terror, está no poder de antecipação e sugestão, é difícil encontrar um livro que se fixe tanto a uma personagem sem resvalar em tédio. Ao narrar a morte das Garmendia o narrador não incrimina o Wieder, menciona o desaparecimento. O narrador não incrimina o policial Romero de matar o Wieder, não fala por que a atriz pornô Joanna está tão debilitada, não resolve o paradeiro do filho da viúva Stein. Ao girar e confabular em torno de ausências – de Carlos Wieder, de Diego de Soto, de Juan Stein, da Gorda Posadas, de rumo, de grana -, apenas esboça enredos que se dissolvem mais adiante, a condução da narrativa encontra reforço na pulsão de Wieder por auto extinguir-se, por publicar em revistas cada vez menos conhecidas e cada vez mais estrambóticas.
O melhor romance do Bolaño, antecessor imediato de Detectives Salvajes, não é uma crônica tão enciclopédica quanto este mas se funda também em elementos circunstanciais. A deturpação, a ampliação e o apagamento, levados a cabo pelas próprias personagens, da história oficial perpassa toda a obra do chileno e culmina aqui, em desbaratadas fugas e buscas sem pistas. lml.

