A um dia do anúncio do Nobel de Literatura, o nome mais cotado na casa de apostas Ladbrokes é Bob Dylan. Parece um certo tipo de loucura ou brincadeira interna dos apostadores a presença do músico folk/rock à frente dos maiores escritores contemporâneos, principalmente quando o assunto é a tradicional premiação da Academia Sueca, que não é lá muito conhecida por preparar surpresas. Dylan é um dos grandes letristas do século XX, já demonstrou talento como artista plástico e até arrebatou boas críticas com seus volumes de crônicas e o curto romance “Tarântula”, mas é o suficiente para vencer um Nobel?
Em mais de 100 anos de história tivemos poucos casos em que o laureado se destacava mais em outro campo do que na literatura, como foi com o estadista inglês Winston Churchill, em 1953. Porém, esse não é o principal ponto negativo para a escolha de Dylan. Até seu maior fã deve reconhecer que Dylan ainda não acumulou credenciais literárias para quebrar a barreira de 17 anos de negligência da Academia com a literatura norte-americana (a última laureada foi Toni Morrison, em 1993).
Se a discussão for merecimento, não há dúvida que Philip Roth, Thomas Pynchon, Cormac McCarthy, Don DeLillo ou Joyce Carol Oates são candidatos mais fortes que Dylan. Falando em americanos, existe uma certa curiosidade para saber quando a Academia Sueca vai se render ao país que é o maior produtor de literatura no mundo. Roth, vencedor do Man Booker International Prize em 2011, corre sempre como favorito.
Voltando às apostas, entre os líderes temos o poeta sírio Adonis, o romancista japonês Haruki Murakami e o poeta-sueco-que-você-nunca-leu Tomas Transtromer. Dá pra perceber a expectativa pela mudanças nos rumos da premiação. Na última década houve uma grande superioridade de romancistas europeus com tendências socialistas. No ano passado, a Academia já sinalizou novos ares ao entregar o galardão ao peruano Mario Vargas Llosa, sempre associado a políticas liberais. O último poeta, ou melhor, poetisa premiada foi a polonesa Wisława Szymborska, em 1996. Dois anos antes, tivemos o último Nobel japonês para Kenzaburo Oe. O que explica um pouco do crédito dado a Adonis e Murakami.
Recentemente, Kjell Espmark, ex-presidente e membro do Comitê do Prêmio apontou o desafio de inovar:
“Importante é: os critérios mudam para que a decisão seja sempre imprevisível”
Considerando uma mudança de critérios, é dificil imaginar a entrega do prêmio a um escritor europeu, como Peter Nadas (húngaro), Antonio Lobo Nunes (português) ou Colm Tóibin (irlandês), para citar apenas alguns dos favoritos. Surge então uma nova geografia de candidatos: dos árabes Assia Djebar (argelina) e Nuruddin Farah (somali) ao israelense Amos Oz; do australiano Les Murray aos asiáticos Ko Un (sul-coreano) e Bei Dao (chinês) – ambos poetas.
Correndo por fora aparecem os africanos, sul-americanos e indianos. Vale citar que o brasileiro mais lembrado é o poeta Ferreira Gullar. É claro que esse tipo de advinhação é bastante superficial e improdutiva. Amanhã, já sabendo do vencedor, você pode voltar ao Mais1Livro, se deparar com um monte de especulações absurdas e dar uma boa risada. Aliás, é exatamente o que eu sugiro que faça.
E então, qual é a sua aposta para o Nobel de Literatura de 2011?

