A chave, a porta e a janela – Por Luana Marques

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Era inverno e as crianças brincavam lá fora enquanto a chuva não dava sinais de chegar. Do lado de dentro, ele era mero expectador.

Já passava dos 40 e vivia só, agarrado a uma velha manta e ao passado que ninguém jamais conheceu.

A grama estava alta e as pinturas na parede já começavam a descascar. Às vezes, os vizinhos chamavam no portão, que nunca se abriu. O homem não tinha amigos, nem sorrisos. Só silêncio e solidão.

Correram as estações. As crianças continuaram brincando na calçada e a grama crescendo no jardim, mas ele permaneceu ali, sem nada fazer. Tinha a chave nas mãos, porém se trancou. Envelheceu vendo a vida passar pela janela.


 

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