Sobra(do) café, de Thiago Orlandin

 

pra andar na terra

no sol que queima

a tenra infância

que a terra mancha

camisa amassada,

manchada de café

na rua, na mula, na estrada

manchada de enxada

amassada de café

 

na minha, na tua

na bodega, na lua

na cachaça

e no mormaço

bagaço de café

a enxada tá na mesa

e o cahorro na varanda

na testa suor de terra

e um café pra remendar

 

três braçadas na estrada

e a tv deixe ligada

quanta gente na cidade

na novela bem limpinha

comida na panela

café, sonho acordado

andar na estrada do anhanguera

meu café vai na janela

pra levantar o meu sobrado

 

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