Brasília, calor, Sonic Youth tocando
Se existe um compromisso intelectual pelo qual eu prezo é o da independência. Mais do que ser rigoroso, não estar vinculado é a maneira convincente de pavimentar uma voz; por mais tributário, sectário, afluente, o jeito mediante o qual recombino, ressignifico o material legado diz respeito a mim e não a verdades aparentemente universais regurgitadas. Não fixo, estas obsessões são fantasmas cujo rosto só eu reconheço, certo nomadismo de pegadas apagadas.
Reza a lenda que o Bellatin tem próteses engraçadinhas pra ocupar o lugar que o braço deixou: de garra, de asa, de garfo; essa incompletude semovente, pessoal mas não autocentrada, essa aceitação da singularidade como celula mater do diálogo, essas fronteiras intermitentes entre corpo e meio são mola mestra de ações que tanto mais impactam porque erráticas, desgarradas.
Hasta luego,
Insubmisso que volta sempre aos mesmos quatro autores.
Hugo Crema, capricorniano, escritor, não necessariamente nesta ordem, escritor, vivo de passado.

